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Cidadão Repórter

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Várzea Grande(DF), Sábado, 18 de Setembro de 2021 - 06:50
05/09/2021 as 06:58 | Por Com DC. | 85
MT é o 3º com maior aumento da pobreza no país.
População com renda per capita de até R$ 450,00 ao mês cresceu 6,4% a partir do início de 2019.
Fotografo: Divulgação.
Crise econômica.

Do primeiro trimestre de 2019 a janeiro de 2021 a pobreza subiu de 15,3% para 21,7% da população mato-grossense, segundo pesquisa do economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O período abrange a pandemia de coronavírus, que teve seus primeiros casos confirmados no Estado em março de 2020.

Os dados da pesquisa mostram que Mato Grosso está entre as três unidades da Federação em que a população pobre mais cresceu no mesmo período. No Estado, o salto foi de 6,4%, mesmo percentual obtido por Roraima. Considerando a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 3,5 milhões, o número de pobres no Estado é de 224 mil pessoas.

Em primeiro aparece o Distrito Federal, onde os percentuais de pobreza subiram de 12,9% para 20,8%, representando uma alta de 7.9%, seguido do Rio de Janeiro de 16,9% para 23,8% (6,9%). Após Mato Grosso, vem São Paulo (5,9%) e Goiás (5,9%).

Números confirmados pela fila dos ossinhos em frente a um açougue, que fica no Bairro CPA II, em Cuiabá. Por lá, é cada vez maior o número de pessoas carentes que buscam a doação de ossos com um pouco de carne para manter o sustento de suas famílias.

Um cenário que levou, inclusive, a Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência realizar no período de 8 a 11 de agosto, visitas as residências das famílias cadastradas em frente à casa de carne. No total, segundo a assessoria do município, as equipes de abordagem social visitaram 102 famílias em situação de vulnerabilidade social.

Desse montante, 83 se enquadraram nos critérios para recebimento mensal do “Benefício Eventual”, composto por cestas básicas e caixas de leite, cuja entrega já foi iniciada. Elas também passam a ser acompanhadas pelas equipes pelo período inicial de três meses e já foram referenciadas para unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) das respectivas regiões onde residem.

O trabalho desenvolvido possibilitou ainda traçar o perfil dos responsáveis familiares (102 famílias), sendo a maioria representada por mulheres, 71,5% e apenas 28,5% masculino. Quanto à distribuição da faixa etária, a equipe informa que entre 41 e 50 anos (25,40%), 51 a 60 anos (20,50%), de 41 a 50 anos (20,50%), 31 a 40 anos (14,70%), de 18 a 30 anos (13,70%) e 4,90% não informaram a idade.

Quanto ao recebimento de benefícios (assistencial ou previdenciário), 34,30% já recebem o Bolsa Família e/ou auxílio emergencial do Governo Federal; outros 13,70% estão inclusos para o recebimento do Benefício de Prestação Continuidade (idosos e PCDs); 10% já são aposentados e apenas 0,90% recebem auxílio doença do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Segundo o levantamento municipal, a faixa salarial é de um salário mínimo (R$ 1.100,00) compreende 38,20% dos entrevistados; 44,10% recebem de 01 a 02 salários mínimos (até R$ 2.200,00); 4,90% recebem acima de dois salários (a partir de R$ 2.201,00) e 12,7% não informaram.

Vale destacar que a pesquisa da FGV considera os índices de pobreza adotados pelo Banco Mundial, com renda per capita de até R$ 450 ao mês. Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e da Pnad Covid 19, do IBGE, também servem de base para o estudo de Daniel Duque.

Dos 26 estados e mais o Distrito Federal, apenas Acre, Pará e Tocantins, todos da região norte, não registraram aumento no índice de pobreza. A inflação e o desemprego crescentes e a perda do rendimento real de muitos trabalhadores que mantiveram o emprego sob condições diferenciadas durante a pandemia foram apontados como principais motivos do aumento da pobreza.

MUTIRÃO – Nesta última semana, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) anunciou a realização de um mutirão para cadastramento de famílias carentes de Cuiabá que poderão ser incluídas no programa Ser Família. A iniciativa visa atender grupos específicos, famílias em situação de vulnerabilidade social, com a transferência de renda.

A medida contemplou moradores de bairros como o João Bosco Pinheiro, Jardim Brasil, Nova Conquista, Três Barras, Umuarama e Altos da Glória. As famílias que poderão ser beneficiadas devem estar inscritas no CadÚnico com renda de até R$ 89 per capita por mês.

Por meio da assessoria, a secretária da Setasc, Rosamaria Carvalho, explicou que o programa abrange todos os municípios do Estado e tem por finalidade reduzir as desigualdades sociais. “A intenção é promover a inclusão social dessas famílias em situação de vulnerabilidade em decorrência de situações de pobreza e risco social, também agravadas pela pandemia da Covid-19”.




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